O Brasil enfrenta uma contradição ambiental gritante: expande florestas plantadas enquanto perde biodiversidade onde ela é mais necessária — nas nascentes. Um estudo da UFJF revela que áreas próximas a plantações de eucalipto apresentam um empobrecimento severo da vida aquática, colocando em xeque o discurso de sustentabilidade do setor.
Nascentes cercadas por vegetação nativa abrigam muito mais organismos e grupos sensíveis a impactos ambientais. Já aquelas influenciadas pelo eucalipto mostram um ecossistema simplificado, frágil e biologicamente empobrecido. A diferença não é sutil — é estrutural.
A monocultura elimina a diversidade de folhas, altera a química do solo e compromete a dinâmica da água. Sem variedade alimentar e abrigo, os organismos aquáticos desaparecem. O efeito se espalha como dominó: piora a qualidade da água, aumenta a vulnerabilidade à seca e enfraquece todo o sistema hídrico.
É irresponsável ignorar esses dados em um país que já sofre com crises hídricas recorrentes. Tratar o eucalipto como alternativa verde sem considerar seus impactos é repetir erros históricos de exploração ambiental.
Especialistas são claros: o problema não é apenas a espécie, mas o modelo de plantio em larga escala e a proximidade com áreas sensíveis. Sem ampliar a distância das nascentes e sem garantir vegetação nativa robusta ao redor, o dano é inevitável.
O futuro da água no Brasil passa pela proteção das nascentes. E protegê-las significa, necessariamente, rever a forma como as florestas de eucalipto são implantadas.
Ignorar a ciência é optar pelo colapso.
Por Redação.
